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CTBE recebe delegação alemã para discutir agenda de bioeconomia

Participantes do 6th Dialogue On Science, Research and Innovation, organizado pela FAPESP, foram recebidos no CTBE

Erik Nardini Medina

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CTBE/CNPEM) reuniu nesta terça, 7, membros de ministérios da Alemanha para discutir com a possibilidade de estabelecer entre os dois países uma agenda comum para a bioeconomia. A reunião contou com membros da Embaixada da Alemanha do Brasill, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Embrapa e do Parque Tecnológico Itaipu – Brasil.

Cooperação entre Brasil e Alemanha pode ser acelerada a partir de uma agenda comum em bioeconomia (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

As discussões apontadas pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) foram norteadas pelo potencial dos dois países alavancarem as pesquisas em biocombustíveis, química verde e agricultura. O objetivo, destacaram Gonçalo A. G. Pereira e Carolina Grassi, é o de ampliar o relacionamento entre as duas nações, em prol da bioeconomia, e com isso estender seus benefícios a outros países que também poderão vir a cooperar.

O assunto, no entanto, não se esgotou na reunião organizada pelo CTBE; alguns tópicos relacionados à área de biocombustíveis e de químicos de renováveis serão discutidos com mais profundidade num segundo momento, após o 6th German-Brazilian Dialogue On Science, Research and Innovation, que acontece na FAPESP, em São Paulo, no dia 8 de novembro. O CTBE será representado pelo coordenador da divisão molecular do Laboratório, Mario Murakami.

Participaram, ainda, diretores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) e do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). Os visitantes também aproveitaram para conhecer as instalações do CNPEM e os experimentos do CTBE, dentre os quais o jardim varietal do Laboratório com variedades de cana-de-açúcar e cana-energia.

No Workshop CTBE sobre RenovaBio, humor dos convidados indica que programa está próximo de virar realidade

120 pessoas lotaram Auditório do CTBE; modelagem econômica do programa “está praticamente pronta”, sugeriu Miguel Ivan Lacerda do MME
Erik Nardini Medina

A aprovação do RenovaBio, marco legal dos biocombustíveis no Brasil, está cada vez mais próxima de se concretizar. Os players reunidos no CTBE nesta sexta, 29, demonstraram ter incorporado aos seus modelos econômicos tudo o que foi discutido na edição anterior do Workshop CTBE, que aconteceu em agosto, versando sobre o Renovacalc.

A cada encontro promovido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) parece crescer o consenso de que o desenvolvimento de combustíveis limpos e renováveis são essenciais para o cumprimento dos compromissos firmados para com a COP21.

A cooperação entre os atores envolvidos no RenovaBio e no Combustível Brasil (iniciativa do Ministério de Minas e Energia) “precisa acontecer e está acontecendo”, como destacaram Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, e Arlindo Moreira, que integra a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Miguel Ivan Lacerda, diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) animou a plateia formada por empresários, pesquisadores e representantes das mais importantes instituições ligadas aos combustíveis no País. “Quando cheguei hoje de manhã, estava confiante da aprovação do RenovaBio no curto prazo, mas agora, no meio do evento, essa confiança aumentou muito”, revelou ao ser questionado por Gonçalo Pereira, diretor do CTBE – um dos quatro laboratórios que integram o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Miguel Ivan Lacerda, do MME: programa está em vias de acontecer (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

O comentário de Lacerda foi motivado pelas apresentações realizadas por CTBE, EPE, DATAGRO, ANP, FINEP, UNICA, MAPA, CADE, Mahle e Embrapa. Cada instituição a seu modo apresentou modelagens econômicas sólidas capazes de suportar as demandas de um programa de estado do porte do RenovaBio. “A modelagem econômica do programa está praticamente pronta”, acrescentou Lacerda: “faltam pequenos ajustes”.

Precisamos trocar o ou pelo e

O engenheiro Ricardo Abreu, diretor da Mahle, explicou que a demanda por combustíveis líquidos tende a permanecer alta no longo prazo. “Ela (a demanda por combustíveis) ainda vai existir por muito tempo. A frota de veículos a combustão ainda será dominante até 2040, respondendo por 75% da frota”, demonstrou em projeções.

Os dados foram apresentados durante a explicação sobre o futuro dos elétricos e híbridos na frota brasileira. Para Abreu, essa constatação representa uma gigante oportunidade para toda a cadeia de combustíveis. “Não apenas a energia solar, ou o etanol. Mas energia solar e etanol, e biodiesel e outras. Precisamos trocar o “ou” pelo “e” o quanto antes”, defendeu.

Para Abreu, o RenovaBio tem papel decisivo na manutenção de uma frota que emita cada vez menos Gases de Efeito Estufa (GEE), seja por meio de aumento da proporção de etanol e biodiesel nos combustíveis fósseis, seja pelo desenvolvimento de motores puramente movidos a etanol aliados a motores elétricos. A solução está no uso equilibrado das matrizes energéticas.

Gonçalo Pereira, que dirige o CTBE desde novembro de 2016 e instituiu os Workshops Estratégicos em março de 2017, considera fundamental que encontros como esses continuem acontecendo. “Hoje, não há questão sobre o RenovaBio que não carregue consigo o nome do CTBE. Nós estamos envolvidos profundamente com o programa, desde a calculadora até a modelagem econômica, social e ambiental”, destacou. “Nós vamos continuar apoiando programas de estado que acreditamos, com base em fatos, serem bom para o País”.

CTBE vai continuar apoiando programas de estado, defende Pereira (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

As apresentações utilizadas pelos palestrantes durante o Workshop serão disponibilizadas na próxima semana, neste endereço. Os vídeos de todas as palestras também ficarão disponíveis em nosso canal no Youtube ainda em outubro.

Estudo indica potencial do Brasil para produzir 10 bilhões de litros de etanol 2G até 2025

Informações foram publicadas no trabaho Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives”, documento lançado nesta terça-feira (23/02) em conferência das Nações Unidas.

Considerado uma das cinco maiores potências no desenvolvimento do biocombustível de segunda geração (2G) e único país sul-americano a investir neste tipo de tecnologia, o Brasil tem capacidade para produzir 10 bilhões de litros de etanol 2G até 2025, desde que hajam investimentos na adaptação e construção de novas unidades industriais e um ambiente regulatório ajustado às circunstâncias e necessidades deste segmento.

Esta é apenas uma das projeções a respeito do futuro do etanol avançado nos principais países produtores feitas pelo estudo “Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives”, documento lançado nesta terça-feira (23/02) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e que teve contribuições da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Além do Brasil, o relatório mapeia todos os projetos e estabelecimentos voltados ao etanol celulósico existentes nos Estados Unidos, China, Canadá e União Europeia, diferenciando o atual estágio de operação (planta-piloto, de demonstração ou comercial) e a capacidade produtiva de cada unidade. O objetivo do documento, segundo a UNCTAD, é promover novas oportunidades de mercado para nações interessadas em desenvolver biocombustíveis avançados, um dos instrumentos mais eficazes no combate às mudanças climáticas. O tema, inclusive, motivou assinatura do Acordo de Paris, documento firmado ao final da Conferência do Clima (COP21), em dezembro de 2015, quando 195 países se comprometeram com metas individuais para a redução dos gases do efeito estufa (GEEs).

No caso do Brasil, que terá de cortar 37% das emissões domésticas de GEEs até 2025 – com base nos níveis de 2005 –, a participação do etanol carburante e demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar na matriz energética deverá saltar dos atuais 16% para 18%, o que exigirá a produção de 50 bilhões de litros do combustível renovável em 2025.

Para a assessora sênior da Presidência para Assuntos Internacionais UNICA, Geraldine Kutas, o estudo apresentado pela UNCTAD é bem fundamentado e apresenta argumentos equilibrados no que se refere aos desafios a serem vencidos por um país que pretende instalar ou mesmo reforçar a sua indústria de biocombustível 2G. “Além de trazer números que demonstram claramente o atual cenário mundial da produção de etanol 2G, o documento também propõe medidas inerentes ao sucesso deste projeto, tanto pelo lado da iniciativa privada quanto pela esfera governamental”, explica a executiva.

De forma geral, analisando a atual infraestrutura industrial e agrícola do setor sucroenergético brasileiro, a publicação indica que nos próximos nove anos, a marca de 10 bilhões de litros de etanol 2G só será atingida se houver expansão na moagem de cana, modernização e integração das produções de etanol 1G e 2G nas usinas existentes, além da construção anual de 10 unidades exclusivamente voltadas ao biocombustível celulósico a partir de 2020.

No curto-prazo, somente com o retrofit em 81 plantas em operação, cuja capacidade de moagem somada alcança 275 milhões de toneladas de cana por ano, seriam produzidos 5 bilhões de litros de etanol 2G até 2025. Outros 1,5 bilhão de litros adviriam de um acréscimo na moagem de 100 milhões de toneladas de cana, volume facilmente alcançável por 80% das empresas do segmento, de acordo com o documento. Por fim, a inauguração de 10 unidades a partir de 2020, quando novas variedades de cana poderão aumentar o rendimento do etanol para cerca de 19 mil litros por hectares, culminará, após cinco anos, em uma produção total de 3,5 bilhões de litros. Somadas todas estas ações, o Brasil atingiria o volume de 10 bilhões de litros de etanol celulósico projetado pela UNCTAD em 2025.

Marco regulatório

Antes de encerrar suas análises, o relatório “Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives” ressalta a importância da formulação de políticas públicas que deem suporte as ações exigidas da iniciativa privada. São cinco sugestões: criar marcos regulatórios para a bioenergia avançada; promover a cooperação entre as organizações nacionais e empresas estrangeiras, a fim de facilitar a transferência de tecnologia; flexibilidade para os agentes de mercado que operam biorrefinarias atuarem em outros segmentos, incluindo materiais, alimentação, alimentos e energia; e incentivar o diálogo técnico entre as diferentes regiões de produção de combustíveis avançados, a fim de garantir padrões compatíveis para matérias-primas e o comércio do produto.

Ranking mundial

Em termos de capacidade instalada, o mercado mundial de etanol celulósico é liderado pelos Estados Unidos, que possui 34% de participação (490,37 milhões de litros), seguido pela China, com 24% (340,19 milhões de litros);  Canadá, com 21% (303,45 milhões de litros), Brasil, com 12% (177,34 milhões de litros) e União Europeia, que detém 9% (130,83 milhões de litros). No total, segundo apurou a UNCTAD para o ano de 2015, somam-se mais de 1,4 bilhão de litros. Unica

Vídeo Biocombustíveis Desenvolvimento Sustentável

Biocombustíveis e as Novas Perspectivas de Produção Sustentável

Novas tecnologias na área de biocombustíveis promovem o desenvolvimento sustentável. Dentre elas está a produção de etanol de segunda geração que aproveita integralmente a matéria-prima (bagaço e palha de cana-de-açúcar).

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) é uma das principais instituições do Brasil a desenvolver pesquisas e novas tecnologias na área de produção de etanol. Um dos focos principais dos estudos do CTBE é promover o desenvolvimento sustentável e contribuir para que o País mantenha a liderança mundial na produção de biocombustíveis.

 

Neste vídeo produzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é possível conhecer as ações de pesquisa e a infraestrutura do CTBE, principalmente no que diz respeito à produção de etanol de segunda geração. Essa tecnologia em desenvolvimento aproveita melhor a matéria-prima (bagaço e palha de cana-de-açúcar) e permite um aumento da produção de etanol em até 50%, sem aumentar a área de cana plantada.

Caracterização de Macromoléculas

Laboratório de Análises de Macromoléculas

O Laboratório de Análises de Macromoléculas (LAM) se dedica à caracterização bioquímica e biofísica de macromoléculas relacionadas, principalmente, à hidrólise de biomassas vegetais e à cadeia de produção de biocombustíveis. Para isso, abriga um aparelho de espalhamento dinâmico de luz que determina o coeficiente de difusão e o raio hidrodinâmico de moléculas em solução, além de investigar a homogeneidade estrutural e o parâmetro de potencial zeta de proteínas, DNA, peptídeos entre outros. O LAM também está equipado com um espectropolarímetro, capaz de determinar a composição de estrutura secundária e investigar parâmetros de termoestabilidade de macromoléculas.

O laboratório também conta com dois espectrofluorímetros para a caracterização de biomoléculas por meio de análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio-luminescência e quimio-luminescência. Estes maquinários viabilizam análises em cubetas ou placas de 96 poços, em temperaturas controladas que variam entre 25 e 45C.

Esta facility está disponível à usuários internos (CNPEM), externos (Brasil e exterior), bem como à prestação de serviços (iniciativa privada / não acadêmica). O LAM opera em modo de submissão contínua de propostas via Portal de Usuários do CNPEM desde fevereiro de 2015, oferecendo serviço, treinamento inicial e suporte na operação dos seus equipamentos.

  • Período de Submissão:
    02/jan/2018 a 10/dez/2018
  • Período de Realização:
    08/jan/2018 a 14/dez/2018

Descubra como submeter uma proposta de pesquisa para essa instalação.



Aplicações

Caracterização bioquímica e biofísica de macromoléculas – hidrólise de biomassas vegetais e cadeia produtiva de biocombustíveis;

Composição de estrutura secundária e parâmetros de termoestabilidade de macromoléculas;

Análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio e quimio-luminescência.

Dúvidas ou informações, escreva-nos



Email - Instalação

Instrumentação Científica

Os equipamentos listados abaixo estão disponíveis a usuários externos que tenham interesse em desenvolver pesquisas no CTBE:

Espectropolarímetro Lab Análises Macromoléculas


Espectropolarímetro

Determinar a composição de estrutura secundária e investigar parâmetros de termoestabilidade de macromoléculas.
Marca: Jasco (modelo J-810).

Analisador espalhamento dinâmico luz


Analisador de Espalhamento Dinâmico de Luz

Determina o coeficiente de difusão e o raio hidrodinâmico de moléculas em solução. Investiga a homogeneidade estrutural e o parâmetro de potencial zeta de proteínas, DNA, peptídeos e etc.
Marca: Malvern (modelo Zetasizer MPT-Z).

Espectrofluorímetro Varian Lab Análises Macromoléculas


Espectrofluorímetro

Caracterização de biomoléculas com análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio-luminescência e quimio-luminescência.
Marca: Varian (modelo Cary Eclipse).



Espectrofluorímetro

Caracterização de biomoléculas com análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio-luminescência e quimio-luminescência.
Marca: Molecular Devices (SpectraMax M2 MultiMode Microplate Reader).

Com acordo, Embrapa produzirá biocombustíveis alternativos

A macaúba, uma espécie de palmeira nativa do Brasil, ganhará um novo incremento para a sua utilização como alternativa na produção de biocombustíveis. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Bioenergia assinou hoje (19), um acordo de cooperação com o Centro Mundial de Agroflorestas (Icraf), para realizar projetos dentro do Programa para o Desenvolvimento de Cultivos Alternativos para Biocombustíveis.

O Brasil, representado pela Embrapa Bioenergia, faz parte do comitê diretivo do programa, que, nesta primeira fase, recebeu US$ 3,5 milhões da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida). Especificamente para o projeto com a macaúba, o Icraf também investiu US$ 400 mil.

Acordo Biocombustíveis Embrapa ONU

Embrapa vai prospectar espécies nativas com potencial para uso na produção de biocombustíveis.

A fase inicial do programa, de quatro anos, será focada em países da América Latina, da África e do Sul da Ásia. Em 2013, as atividades começaram em comunidades na Índia. Este mês, iniciam-se no Piauí, no Brasil, e para África, o Icraf ainda estuda as melhores formas de intervenção e os subprojetos que serão desenvolvidos.

No Brasil, o programa é focado no Nordeste brasileiro, onde a Embrapa já vinha avançando na prospecção de espécies nativas com potencial para uso na produção de biocombustíveis, explicou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira de Souza Junior.

“Vamos buscar diversificar as fontes de bioenergia, de culturas energéticas para a região do Semiárido, com foco em algumas palmeiras, começando pela macaúba. E isso vai ser feito dentro do conceito de agroflorestas, combinando diversas espécies vegetais para produzir alimentos e combustíveis”, disse Teixeira.

A primeira etapa do projeto com a macaúba será a construção de um banco de dados, de uma caracterização ampla do fruto e do óleo, assim como dos resíduos que a planta gera no seu cultivo e processamento.

O segundo passo será mostrar in loco, em dias de campo com agricultores familiares, que a macaúba pode ser cultivada na região e gerar renda. E depois, viabilizar a interação da Embrapa com os pequenos produtores dentro dessa lógica de fontes de agroenergia alternativas para o Nordeste, para que eles sejam integrados à cadeia de produção dentro do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB).

“É uma cultura nacional, adaptada a diversas regiões do Brasil e que, potencialmente, é bastante interessante em termos de produtividade, comparado ao dendê, que tem materiais de 6 a 7 litros de óleo por hectare. No caso da macaúba, temos 3 ou 4 litros por hectare. Já a soja, que é a principal fonte de óleo vegetal para produção de biodiesel no Brasil, produz de 400 a 500 litros por hectare”, explicou Teixeira.

O coordenador-geral de Biocombustível do Ministério do Desenvolvimento Agrário, André Grossi Machado, explicou que, com a implantação do PNPB em 2014, ficou muito claro o potencial das oleaginosas produzidas principalmente pela agricultura familiar. “E as oleaginosas perenes, como a macaúba, têm um balanço energético bom, alta produtividade de óleo, é intensiva em mão de obra, além de promover vários benefícios ambientais”.

Segundo Grossi, apesar de não participar desse protocolo específico com o Icraf, o ministério, assim como vários órgãos do grupo gestor do PNPB, trabalham no fomento da macaúba. Um dos avanços alcançados foi a publicação do preço mínimo para o fruto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “As comunidades que estavam vendendo a R$ 0,18 o quilo hoje têm a possibilidade de contar com a subvenção da Conab, com o preço mínimo de R$ 0,45 por quilo. Agora, os agricultores têm essa segurança para produzir macaúba”, explicou o coordenador do MDA.

Entretanto, apesar desse avanço, faltam estatísticas sobre a cultura. “Não tem plantio comercial, não tem zoneamento agrícola. É uma espécie que tem grande maciços naturais em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, estamos descobrindo no Ceará, Piauí, e os extrativistas vivem há muitos anos puxados pelo comércio do óleo e do carvão”, disse Grossi.

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CTBE recebe delegação alemã para discutir agenda de bioeconomia

Participantes do 6th Dialogue On Science, Research and Innovation, organizado pela FAPESP, foram recebidos no CTBE

Erik Nardini Medina

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, que integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CTBE/CNPEM) reuniu nesta terça, 7, membros de ministérios da Alemanha para discutir com a possibilidade de estabelecer entre os dois países uma agenda comum para a bioeconomia. A reunião contou com membros da Embaixada da Alemanha do Brasill, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Embrapa e do Parque Tecnológico Itaipu – Brasil.

Cooperação entre Brasil e Alemanha pode ser acelerada a partir de uma agenda comum em bioeconomia (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

As discussões apontadas pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) foram norteadas pelo potencial dos dois países alavancarem as pesquisas em biocombustíveis, química verde e agricultura. O objetivo, destacaram Gonçalo A. G. Pereira e Carolina Grassi, é o de ampliar o relacionamento entre as duas nações, em prol da bioeconomia, e com isso estender seus benefícios a outros países que também poderão vir a cooperar.

O assunto, no entanto, não se esgotou na reunião organizada pelo CTBE; alguns tópicos relacionados à área de biocombustíveis e de químicos de renováveis serão discutidos com mais profundidade num segundo momento, após o 6th German-Brazilian Dialogue On Science, Research and Innovation, que acontece na FAPESP, em São Paulo, no dia 8 de novembro. O CTBE será representado pelo coordenador da divisão molecular do Laboratório, Mario Murakami.

Participaram, ainda, diretores do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) e do Laboratório Nacional de Biociências (LNBio). Os visitantes também aproveitaram para conhecer as instalações do CNPEM e os experimentos do CTBE, dentre os quais o jardim varietal do Laboratório com variedades de cana-de-açúcar e cana-energia.

No Workshop CTBE sobre RenovaBio, humor dos convidados indica que programa está próximo de virar realidade

120 pessoas lotaram Auditório do CTBE; modelagem econômica do programa “está praticamente pronta”, sugeriu Miguel Ivan Lacerda do MME
Erik Nardini Medina

A aprovação do RenovaBio, marco legal dos biocombustíveis no Brasil, está cada vez mais próxima de se concretizar. Os players reunidos no CTBE nesta sexta, 29, demonstraram ter incorporado aos seus modelos econômicos tudo o que foi discutido na edição anterior do Workshop CTBE, que aconteceu em agosto, versando sobre o Renovacalc.

A cada encontro promovido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) parece crescer o consenso de que o desenvolvimento de combustíveis limpos e renováveis são essenciais para o cumprimento dos compromissos firmados para com a COP21.

A cooperação entre os atores envolvidos no RenovaBio e no Combustível Brasil (iniciativa do Ministério de Minas e Energia) “precisa acontecer e está acontecendo”, como destacaram Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, e Arlindo Moreira, que integra a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Miguel Ivan Lacerda, diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) animou a plateia formada por empresários, pesquisadores e representantes das mais importantes instituições ligadas aos combustíveis no País. “Quando cheguei hoje de manhã, estava confiante da aprovação do RenovaBio no curto prazo, mas agora, no meio do evento, essa confiança aumentou muito”, revelou ao ser questionado por Gonçalo Pereira, diretor do CTBE – um dos quatro laboratórios que integram o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Miguel Ivan Lacerda, do MME: programa está em vias de acontecer (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

O comentário de Lacerda foi motivado pelas apresentações realizadas por CTBE, EPE, DATAGRO, ANP, FINEP, UNICA, MAPA, CADE, Mahle e Embrapa. Cada instituição a seu modo apresentou modelagens econômicas sólidas capazes de suportar as demandas de um programa de estado do porte do RenovaBio. “A modelagem econômica do programa está praticamente pronta”, acrescentou Lacerda: “faltam pequenos ajustes”.

Precisamos trocar o ou pelo e

O engenheiro Ricardo Abreu, diretor da Mahle, explicou que a demanda por combustíveis líquidos tende a permanecer alta no longo prazo. “Ela (a demanda por combustíveis) ainda vai existir por muito tempo. A frota de veículos a combustão ainda será dominante até 2040, respondendo por 75% da frota”, demonstrou em projeções.

Os dados foram apresentados durante a explicação sobre o futuro dos elétricos e híbridos na frota brasileira. Para Abreu, essa constatação representa uma gigante oportunidade para toda a cadeia de combustíveis. “Não apenas a energia solar, ou o etanol. Mas energia solar e etanol, e biodiesel e outras. Precisamos trocar o “ou” pelo “e” o quanto antes”, defendeu.

Para Abreu, o RenovaBio tem papel decisivo na manutenção de uma frota que emita cada vez menos Gases de Efeito Estufa (GEE), seja por meio de aumento da proporção de etanol e biodiesel nos combustíveis fósseis, seja pelo desenvolvimento de motores puramente movidos a etanol aliados a motores elétricos. A solução está no uso equilibrado das matrizes energéticas.

Gonçalo Pereira, que dirige o CTBE desde novembro de 2016 e instituiu os Workshops Estratégicos em março de 2017, considera fundamental que encontros como esses continuem acontecendo. “Hoje, não há questão sobre o RenovaBio que não carregue consigo o nome do CTBE. Nós estamos envolvidos profundamente com o programa, desde a calculadora até a modelagem econômica, social e ambiental”, destacou. “Nós vamos continuar apoiando programas de estado que acreditamos, com base em fatos, serem bom para o País”.

CTBE vai continuar apoiando programas de estado, defende Pereira (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

As apresentações utilizadas pelos palestrantes durante o Workshop serão disponibilizadas na próxima semana, neste endereço. Os vídeos de todas as palestras também ficarão disponíveis em nosso canal no Youtube ainda em outubro.

Estudo indica potencial do Brasil para produzir 10 bilhões de litros de etanol 2G até 2025

Informações foram publicadas no trabaho Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives”, documento lançado nesta terça-feira (23/02) em conferência das Nações Unidas.

Considerado uma das cinco maiores potências no desenvolvimento do biocombustível de segunda geração (2G) e único país sul-americano a investir neste tipo de tecnologia, o Brasil tem capacidade para produzir 10 bilhões de litros de etanol 2G até 2025, desde que hajam investimentos na adaptação e construção de novas unidades industriais e um ambiente regulatório ajustado às circunstâncias e necessidades deste segmento.

Esta é apenas uma das projeções a respeito do futuro do etanol avançado nos principais países produtores feitas pelo estudo “Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives”, documento lançado nesta terça-feira (23/02) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e que teve contribuições da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

Além do Brasil, o relatório mapeia todos os projetos e estabelecimentos voltados ao etanol celulósico existentes nos Estados Unidos, China, Canadá e União Europeia, diferenciando o atual estágio de operação (planta-piloto, de demonstração ou comercial) e a capacidade produtiva de cada unidade. O objetivo do documento, segundo a UNCTAD, é promover novas oportunidades de mercado para nações interessadas em desenvolver biocombustíveis avançados, um dos instrumentos mais eficazes no combate às mudanças climáticas. O tema, inclusive, motivou assinatura do Acordo de Paris, documento firmado ao final da Conferência do Clima (COP21), em dezembro de 2015, quando 195 países se comprometeram com metas individuais para a redução dos gases do efeito estufa (GEEs).

No caso do Brasil, que terá de cortar 37% das emissões domésticas de GEEs até 2025 – com base nos níveis de 2005 –, a participação do etanol carburante e demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar na matriz energética deverá saltar dos atuais 16% para 18%, o que exigirá a produção de 50 bilhões de litros do combustível renovável em 2025.

Para a assessora sênior da Presidência para Assuntos Internacionais UNICA, Geraldine Kutas, o estudo apresentado pela UNCTAD é bem fundamentado e apresenta argumentos equilibrados no que se refere aos desafios a serem vencidos por um país que pretende instalar ou mesmo reforçar a sua indústria de biocombustível 2G. “Além de trazer números que demonstram claramente o atual cenário mundial da produção de etanol 2G, o documento também propõe medidas inerentes ao sucesso deste projeto, tanto pelo lado da iniciativa privada quanto pela esfera governamental”, explica a executiva.

De forma geral, analisando a atual infraestrutura industrial e agrícola do setor sucroenergético brasileiro, a publicação indica que nos próximos nove anos, a marca de 10 bilhões de litros de etanol 2G só será atingida se houver expansão na moagem de cana, modernização e integração das produções de etanol 1G e 2G nas usinas existentes, além da construção anual de 10 unidades exclusivamente voltadas ao biocombustível celulósico a partir de 2020.

No curto-prazo, somente com o retrofit em 81 plantas em operação, cuja capacidade de moagem somada alcança 275 milhões de toneladas de cana por ano, seriam produzidos 5 bilhões de litros de etanol 2G até 2025. Outros 1,5 bilhão de litros adviriam de um acréscimo na moagem de 100 milhões de toneladas de cana, volume facilmente alcançável por 80% das empresas do segmento, de acordo com o documento. Por fim, a inauguração de 10 unidades a partir de 2020, quando novas variedades de cana poderão aumentar o rendimento do etanol para cerca de 19 mil litros por hectares, culminará, após cinco anos, em uma produção total de 3,5 bilhões de litros. Somadas todas estas ações, o Brasil atingiria o volume de 10 bilhões de litros de etanol celulósico projetado pela UNCTAD em 2025.

Marco regulatório

Antes de encerrar suas análises, o relatório “Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives” ressalta a importância da formulação de políticas públicas que deem suporte as ações exigidas da iniciativa privada. São cinco sugestões: criar marcos regulatórios para a bioenergia avançada; promover a cooperação entre as organizações nacionais e empresas estrangeiras, a fim de facilitar a transferência de tecnologia; flexibilidade para os agentes de mercado que operam biorrefinarias atuarem em outros segmentos, incluindo materiais, alimentação, alimentos e energia; e incentivar o diálogo técnico entre as diferentes regiões de produção de combustíveis avançados, a fim de garantir padrões compatíveis para matérias-primas e o comércio do produto.

Ranking mundial

Em termos de capacidade instalada, o mercado mundial de etanol celulósico é liderado pelos Estados Unidos, que possui 34% de participação (490,37 milhões de litros), seguido pela China, com 24% (340,19 milhões de litros);  Canadá, com 21% (303,45 milhões de litros), Brasil, com 12% (177,34 milhões de litros) e União Europeia, que detém 9% (130,83 milhões de litros). No total, segundo apurou a UNCTAD para o ano de 2015, somam-se mais de 1,4 bilhão de litros. Unica

Vídeo Biocombustíveis Desenvolvimento Sustentável

Biocombustíveis e as Novas Perspectivas de Produção Sustentável

Novas tecnologias na área de biocombustíveis promovem o desenvolvimento sustentável. Dentre elas está a produção de etanol de segunda geração que aproveita integralmente a matéria-prima (bagaço e palha de cana-de-açúcar).

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) é uma das principais instituições do Brasil a desenvolver pesquisas e novas tecnologias na área de produção de etanol. Um dos focos principais dos estudos do CTBE é promover o desenvolvimento sustentável e contribuir para que o País mantenha a liderança mundial na produção de biocombustíveis.

 

Neste vídeo produzido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), é possível conhecer as ações de pesquisa e a infraestrutura do CTBE, principalmente no que diz respeito à produção de etanol de segunda geração. Essa tecnologia em desenvolvimento aproveita melhor a matéria-prima (bagaço e palha de cana-de-açúcar) e permite um aumento da produção de etanol em até 50%, sem aumentar a área de cana plantada.

Caracterização de Macromoléculas

Laboratório de Análises de Macromoléculas

O Laboratório de Análises de Macromoléculas (LAM) se dedica à caracterização bioquímica e biofísica de macromoléculas relacionadas, principalmente, à hidrólise de biomassas vegetais e à cadeia de produção de biocombustíveis. Para isso, abriga um aparelho de espalhamento dinâmico de luz que determina o coeficiente de difusão e o raio hidrodinâmico de moléculas em solução, além de investigar a homogeneidade estrutural e o parâmetro de potencial zeta de proteínas, DNA, peptídeos entre outros. O LAM também está equipado com um espectropolarímetro, capaz de determinar a composição de estrutura secundária e investigar parâmetros de termoestabilidade de macromoléculas.

O laboratório também conta com dois espectrofluorímetros para a caracterização de biomoléculas por meio de análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio-luminescência e quimio-luminescência. Estes maquinários viabilizam análises em cubetas ou placas de 96 poços, em temperaturas controladas que variam entre 25 e 45C.

Esta facility está disponível à usuários internos (CNPEM), externos (Brasil e exterior), bem como à prestação de serviços (iniciativa privada / não acadêmica). O LAM opera em modo de submissão contínua de propostas via Portal de Usuários do CNPEM desde fevereiro de 2015, oferecendo serviço, treinamento inicial e suporte na operação dos seus equipamentos.

  • Período de Submissão:
    02/jan/2018 a 10/dez/2018
  • Período de Realização:
    08/jan/2018 a 14/dez/2018

Descubra como submeter uma proposta de pesquisa para essa instalação.



Aplicações

Caracterização bioquímica e biofísica de macromoléculas – hidrólise de biomassas vegetais e cadeia produtiva de biocombustíveis;

Composição de estrutura secundária e parâmetros de termoestabilidade de macromoléculas;

Análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio e quimio-luminescência.

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Instrumentação Científica

Os equipamentos listados abaixo estão disponíveis a usuários externos que tenham interesse em desenvolver pesquisas no CTBE:

Espectropolarímetro Lab Análises Macromoléculas


Espectropolarímetro

Determinar a composição de estrutura secundária e investigar parâmetros de termoestabilidade de macromoléculas.
Marca: Jasco (modelo J-810).

Analisador espalhamento dinâmico luz


Analisador de Espalhamento Dinâmico de Luz

Determina o coeficiente de difusão e o raio hidrodinâmico de moléculas em solução. Investiga a homogeneidade estrutural e o parâmetro de potencial zeta de proteínas, DNA, peptídeos e etc.
Marca: Malvern (modelo Zetasizer MPT-Z).

Espectrofluorímetro Varian Lab Análises Macromoléculas


Espectrofluorímetro

Caracterização de biomoléculas com análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio-luminescência e quimio-luminescência.
Marca: Varian (modelo Cary Eclipse).



Espectrofluorímetro

Caracterização de biomoléculas com análises de fluorescência intrínseca e extrínseca, fosforescência, bio-luminescência e quimio-luminescência.
Marca: Molecular Devices (SpectraMax M2 MultiMode Microplate Reader).

Com acordo, Embrapa produzirá biocombustíveis alternativos

A macaúba, uma espécie de palmeira nativa do Brasil, ganhará um novo incremento para a sua utilização como alternativa na produção de biocombustíveis. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Bioenergia assinou hoje (19), um acordo de cooperação com o Centro Mundial de Agroflorestas (Icraf), para realizar projetos dentro do Programa para o Desenvolvimento de Cultivos Alternativos para Biocombustíveis.

O Brasil, representado pela Embrapa Bioenergia, faz parte do comitê diretivo do programa, que, nesta primeira fase, recebeu US$ 3,5 milhões da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio do Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (Fida). Especificamente para o projeto com a macaúba, o Icraf também investiu US$ 400 mil.

Acordo Biocombustíveis Embrapa ONU

Embrapa vai prospectar espécies nativas com potencial para uso na produção de biocombustíveis.

A fase inicial do programa, de quatro anos, será focada em países da América Latina, da África e do Sul da Ásia. Em 2013, as atividades começaram em comunidades na Índia. Este mês, iniciam-se no Piauí, no Brasil, e para África, o Icraf ainda estuda as melhores formas de intervenção e os subprojetos que serão desenvolvidos.

No Brasil, o programa é focado no Nordeste brasileiro, onde a Embrapa já vinha avançando na prospecção de espécies nativas com potencial para uso na produção de biocombustíveis, explicou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Manoel Teixeira de Souza Junior.

“Vamos buscar diversificar as fontes de bioenergia, de culturas energéticas para a região do Semiárido, com foco em algumas palmeiras, começando pela macaúba. E isso vai ser feito dentro do conceito de agroflorestas, combinando diversas espécies vegetais para produzir alimentos e combustíveis”, disse Teixeira.

A primeira etapa do projeto com a macaúba será a construção de um banco de dados, de uma caracterização ampla do fruto e do óleo, assim como dos resíduos que a planta gera no seu cultivo e processamento.

O segundo passo será mostrar in loco, em dias de campo com agricultores familiares, que a macaúba pode ser cultivada na região e gerar renda. E depois, viabilizar a interação da Embrapa com os pequenos produtores dentro dessa lógica de fontes de agroenergia alternativas para o Nordeste, para que eles sejam integrados à cadeia de produção dentro do Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB).

“É uma cultura nacional, adaptada a diversas regiões do Brasil e que, potencialmente, é bastante interessante em termos de produtividade, comparado ao dendê, que tem materiais de 6 a 7 litros de óleo por hectare. No caso da macaúba, temos 3 ou 4 litros por hectare. Já a soja, que é a principal fonte de óleo vegetal para produção de biodiesel no Brasil, produz de 400 a 500 litros por hectare”, explicou Teixeira.

O coordenador-geral de Biocombustível do Ministério do Desenvolvimento Agrário, André Grossi Machado, explicou que, com a implantação do PNPB em 2014, ficou muito claro o potencial das oleaginosas produzidas principalmente pela agricultura familiar. “E as oleaginosas perenes, como a macaúba, têm um balanço energético bom, alta produtividade de óleo, é intensiva em mão de obra, além de promover vários benefícios ambientais”.

Segundo Grossi, apesar de não participar desse protocolo específico com o Icraf, o ministério, assim como vários órgãos do grupo gestor do PNPB, trabalham no fomento da macaúba. Um dos avanços alcançados foi a publicação do preço mínimo para o fruto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). “As comunidades que estavam vendendo a R$ 0,18 o quilo hoje têm a possibilidade de contar com a subvenção da Conab, com o preço mínimo de R$ 0,45 por quilo. Agora, os agricultores têm essa segurança para produzir macaúba”, explicou o coordenador do MDA.

Entretanto, apesar desse avanço, faltam estatísticas sobre a cultura. “Não tem plantio comercial, não tem zoneamento agrícola. É uma espécie que tem grande maciços naturais em Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso do Sul, estamos descobrindo no Ceará, Piauí, e os extrativistas vivem há muitos anos puxados pelo comércio do óleo e do carvão”, disse Grossi.