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No Workshop CTBE sobre RenovaBio, humor dos convidados indica que programa está próximo de virar realidade

120 pessoas lotaram Auditório do CTBE; modelagem econômica do programa “está praticamente pronta”, sugeriu Miguel Ivan Lacerda do MME
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Erik Nardini Medina

A aprovação do RenovaBio, marco legal dos biocombustíveis no Brasil, está cada vez mais próxima de se concretizar. Os players reunidos no CTBE nesta sexta, 29, demonstraram ter incorporado aos seus modelos econômicos tudo o que foi discutido na edição anterior do Workshop CTBE, que aconteceu em agosto, versando sobre o Renovacalc.

A cada encontro promovido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) parece crescer o consenso de que o desenvolvimento de combustíveis limpos e renováveis são essenciais para o cumprimento dos compromissos firmados para com a COP21.

A cooperação entre os atores envolvidos no RenovaBio e no Combustível Brasil (iniciativa do Ministério de Minas e Energia) “precisa acontecer e está acontecendo”, como destacaram Plinio Nastari, presidente da DATAGRO, e Arlindo Moreira, que integra a Diretoria de Abastecimento da Petrobras.

Miguel Ivan Lacerda, diretor de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energia (MME) animou a plateia formada por empresários, pesquisadores e representantes das mais importantes instituições ligadas aos combustíveis no País. “Quando cheguei hoje de manhã, estava confiante da aprovação do RenovaBio no curto prazo, mas agora, no meio do evento, essa confiança aumentou muito”, revelou ao ser questionado por Gonçalo Pereira, diretor do CTBE – um dos quatro laboratórios que integram o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

Miguel Ivan Lacerda, do MME: programa está em vias de acontecer (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

O comentário de Lacerda foi motivado pelas apresentações realizadas por CTBE, EPE, DATAGRO, ANP, FINEP, UNICA, MAPA, CADE, Mahle e Embrapa. Cada instituição a seu modo apresentou modelagens econômicas sólidas capazes de suportar as demandas de um programa de estado do porte do RenovaBio. “A modelagem econômica do programa está praticamente pronta”, acrescentou Lacerda: “faltam pequenos ajustes”.

Precisamos trocar o ou pelo e

O engenheiro Ricardo Abreu, diretor da Mahle, explicou que a demanda por combustíveis líquidos tende a permanecer alta no longo prazo. “Ela (a demanda por combustíveis) ainda vai existir por muito tempo. A frota de veículos a combustão ainda será dominante até 2040, respondendo por 75% da frota”, demonstrou em projeções.

Os dados foram apresentados durante a explicação sobre o futuro dos elétricos e híbridos na frota brasileira. Para Abreu, essa constatação representa uma gigante oportunidade para toda a cadeia de combustíveis. “Não apenas a energia solar, ou o etanol. Mas energia solar e etanol, e biodiesel e outras. Precisamos trocar o “ou” pelo “e” o quanto antes”, defendeu.

Para Abreu, o RenovaBio tem papel decisivo na manutenção de uma frota que emita cada vez menos Gases de Efeito Estufa (GEE), seja por meio de aumento da proporção de etanol e biodiesel nos combustíveis fósseis, seja pelo desenvolvimento de motores puramente movidos a etanol aliados a motores elétricos. A solução está no uso equilibrado das matrizes energéticas.

Gonçalo Pereira, que dirige o CTBE desde novembro de 2016 e instituiu os Workshops Estratégicos em março de 2017, considera fundamental que encontros como esses continuem acontecendo. “Hoje, não há questão sobre o RenovaBio que não carregue consigo o nome do CTBE. Nós estamos envolvidos profundamente com o programa, desde a calculadora até a modelagem econômica, social e ambiental”, destacou. “Nós vamos continuar apoiando programas de estado que acreditamos, com base em fatos, serem bom para o País”.

CTBE vai continuar apoiando programas de estado, defende Pereira (Erik Nardini/CTBE/CNPEM)

As apresentações utilizadas pelos palestrantes durante o Workshop serão disponibilizadas na próxima semana, neste endereço. Os vídeos de todas as palestras também ficarão disponíveis em nosso canal no Youtube ainda em outubro.

Tese de doutorado aproxima cientistas e indústria e prevê etanol 2G em larga escala

Leandro Santos, do CTBE, é responsável pelo melhoramento genético da levedura Pedra-2, conferindo ao micro-organismo a capacidade de converter xilose em etanol 2G; estudo já é aplicado na indústria
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A adoção de fontes energéticas renováveis é uma tendência cada vez maior, a despeito de casos isolados como as recentes políticas norteamericanas que vão na contramão de um futuro mais sustentável. O Relatório Mensal de Energia do Ministério de Minas e Energia (MME) projeta que a participação de renováveis na composição da matriz energética brasileira deve atingir 43,2%, compreendendo a geração hidráulica, eólica e biomassa. O crescimento do setor bioenergético é fundamental para que o país consiga cumprir os compromissos de redução de emissões, e a parceria entre cientistas e indústria é essencial.

No âmbito dos combustíveis, o etanol de 2ª geração (2G) desponta como a principal alternativa à matriz fóssil. O 2G é um upgrade da 1ª geração (1G) porque é obtido a partir de biomassa vegetal, como a palha e o bagaço da cana-de-açúcar e não do caldo proveniente da moagem.

Produzir etanol a partir de biomassa, porém, é um desafio à indústria e à ciência “pois o açúcar de cinco carbonos, xilose, corresponde a uma significativa parcela na composição da biomassa, e não é assimilado naturalmente pelas leveduras utilizadas no processo 1G”, explica Leandro Santos, pesquisador do CTBE e autor da tese defendida na Unicamp “Da ciência à indústria: engenharia metabólica e evolutiva de Saccharomyces cerevisiae para a produção de etanol de segunda geração”, orientado pelo professor Gonçalo Pereira. O trabalho de pesquisa foi realizado enquanto o autor era funcionário da GranBio, primeira empresa de produção de etanol de segunda geração do país.

Da bancada à indústria: organismo desenvolvido por Santos é adotado pela Indústria (Divulgação/CTBE)

“A levedura S. cerevisiae é um micro-organismo amplamente utilizado para a conversão do açúcar em etanol. Nós utilizamos uma linhagem comercial de S. cerevisiae chamada Pedra-2, e fizemos uma série de manipulações genéticas para que ela fosse capaz de converter a xilose em etanol”, conta Santos. Os resultados da tese são impactantes e apresentam alto rendimento na produção do biocombustível. A levedura explorada na tese já está sendo utilizada industrialmente na conversão dos açúcares provenientes da biomassa em etanol 2G.

Para atingir os bons rendimentos na obtenção de etanol 2G, Santos conferiu novas capacidades à levedura. “Foi preciso introduzir novas vias metabólicas para a conversão desse açúcar. Alguns genes foram inseridos em múltiplas cópias para acelerar o processo de conversão, enquanto outros foram deletados. A evolução adaptativa [um processo de melhoramento de micro-organismos] identificou a interação de diferentes rotas metabólicas que provavelmente estão associadas ao mesmo sistema de sinalização que regula a fermentação de xilose em S. cerevisiae. Além disso foram identificados os genes responsáveis pela melhora do consumo da levedura e que podem ser utilizados na construção racional de novas cepas, com melhor performance”, detalha o pesquisador. Centenas de leveduras foram desenvolvidas e diversas abordagens foram exploradas até a obtenção de uma cepa capaz de ser utilizada industrialmente.

Agora integrando a equipe de pesquisadores do CTBE, Santos deve se dedicar ao aumento da tolerância da levedura aos inibidores do processo fermentativo gerados durante a produção de etanol que prejudicam o crescimento (multiplicação) da levedura em escala industrial. “Vamos trabalhar para aumentar a resistência/tolerância das leveduras desenvolvidas a esses compostos, diminuindo a interferência durante o processo de produção de etanol”, conclui.

A tese de doutorado de Santos, por questões de sigilo industrial, será disponibilizada no banco de teses da Unicamp dentro de um ano.

Sobre o CTBE

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) integra o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), organização social vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O CTBE desenvolve pesquisa e inovação de nível internacional na área de biomassa voltada à produção de energia, em especial do etanol de cana-de-açúcar. O Laboratório possui um ambiente singular no País para o escalonamento de tecnologias, visando a transferência de processos da bancada científica para o setor produtivo, no qual se destaca a Planta Piloto para Desenvolvimento de Processos (PPDP).

Workshop on Second Generation Bioethanol 2016

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testeira 2g bioethanol workshop

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) promove nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro o “Workshop on Second Generation Bioethanol 2016” . O evento tem como objetivo discutir temas relacionados à produção de etanol 2G e outros produtos a partir de biomassa vegetal. Neste ano, os seguintes tópicos serão abordados:

I) Sistemas enzimáticos para degradação de material lignocelulósico;
II) Sistemas microbianos para produção de enzimas, biocombustíveis e blocos químicos;
III) Biomassa e biorrefinarias;
IV) Biocombustível e indústria.

Os interessados em participar do Workshop podem se inscrever até  16 de outubro de 2016. Devido ao número limitado de vagas, será feita uma etapa de seleção dos inscritos com posterior confirmação da efetivação da inscrição.

Inscreva-se aqui: http://pages.cnpem.br/2gbioethanol/registration-2/