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Bioeletricidade a partir da biomassa de cana está no radar de players geradores, que agora miram Marco Regulatório

Workshop que aconteceu no CTBE reuniu usinas, entidades do setor sucroenergético e órgãos públicos
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Por Erik Nardini e Viviane Celente

“Nós precisamos de alternativas ao petróleo”. Gonçalo Pereira, diretor do CTBE, deu o start no Workshop de Bioeletricidade do Projeto SUCRE, nesta quinta-feira, com uma afirmação óbvia, mas que deve ser constantemente lembrada. Se aceitamos o açúcar na forma de fibra, nosso potencial muda totalmente. Na cana-energia, a gente duplica a quantidade produtiva com custo de produção reduzido enormemente”, destacou em sua apresentação, demonstrando a força da cana-energia.

Pereira utilizou sua sessão para antecipar detalhes sobre o Workshop Estratégico RenovaBio, que acontece no CTBE no próximo dia 17 de agosto. “Com esse programa, cada usina será uma espécie de geradora de certificados de carbono. Com isso vamos reduzir drasticamente a emissão de CO2, emitiremos certificados e iremos negociar na bolsa de valores. Esse é o futuro”, acredita Pereira.

Produção de energia limpa

Manoel Regis Lima Verde Real, pesquisador do CTBE, apresentou as contribuições do Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity) para o setor sucroenergético. “Simples. Nosso objetivo é aumentar a produção de energia elétrica com baixa emissão de gases de efeito estufa”, comenta. “Trabalhamos para que a palha seja um produto cada vez mais valioso para as usinas”, destaca.

Regis acredita que a palha pode vir a ser uma solução muito eficiente para a geração de energia limpa, renovável e sustentável. O pesquisador avalia que as barreiras tecnológicas, porém, devem receber destaque. “Há questões sérias relativas ao recolhimento, transporte, limpeza, processamento e queima”, lembrando que as impurezas minerais presentes no recolhimento é um dos gargalos a ser resolvido.

O Diretor Nacional do Projeto SUCRE, Regis Leal, apresenta as questões que devem nortear o Marco Regulatório

“O SUCRE se propõe a gerar mais informações, com metodologias claras, para que possamos comparar os resultados entre uma e outra usina, desde os investimentos necessários para a adoção da palha e os impactos sobre o recolhimento dessa palha”, avalia ao reconhecer que a remoção da palha também pode implicar na produtividade e longevidade do canavial. “O que vale é o equilíbrio. Recolher o suficiente para produzir energia sem impactar o campo”, sugere.

A venda de eletricidade pelas Usinas esbarra também no Marco Regulatório. Os detalhes serão aprofundados no Boletim CTBE tratando sobre esta edição do Workshop.

A visão da UNICA sobre a geração de energia limpa

“É importante resgatar uma regularidade [de geração de energia a partir de biomassa], nós queremos estimular novamente o setor para elevar seu potencial ­­- e esse é o papel de entidades como a UNICA. Nós poderíamos, simplesmente com novas medidas de incentivo, elevar em seis ou sete vezes a produção de energia a partir de biomassa”, destacou Zilmar José de Souza, da UNICA.  “A biomassa tem uma função estratégica para a geração de energia no País. Nos meses de julho e agosto, por exemplo, essa energia representa 8% de todo o consumo nacional”, reforça Zilmar.

Participação da biomassa na matriz energética

O papel da energia gerada a partir da biomassa, as características e o potencial da biomassa na matriz energética foram apresentados pela analista de pesquisa energética Rachel Martins Henriques da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). São algumas características relevantes da eletricidade gerada a partir da biomassa ser uma fonte energética importante para suprir as intermitências das fontes renováveis, por possuir baixa variabilidade de geração, disponibilidade previsível; tratar-se de uma fonte de geração situada próxima ao grande centro de consumo; e reduzir as emissões de gases de efeito estufa (de 2012 a 2016 foram evitadas 17 mil toneladas de CO2).

A expansão do mercado livre de energia elétrica, o suporte adicional a oferta cada vez maior de fontes intermitentes, ser uma fonte de energia mitigadora de emissões, além de gerar empregos e renda, alinhados às crescentes dificuldades do Brasil em construir hidrelétricas de grande porte, foram algumas das oportunidades elencadas por Rachel. No entanto, existem desafios a serem vencidos. Segundo a analista, é necessário que sejam criadas consições igualitárias de competição entre as fontes de energia.

A cana-de-açúcar foi responsável, de janeiro a maio de 2017, por 75,7% de toda a geração de energia a partir de biomassa no Brasil, segundo dados apresentados pelo membro da administração da Câmera de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), Roberto Castro. No entanto, Castro explica que esse número não significa aumento de geração. “Apesar do aumento da capacidade instalada e do número de usinas, a geração à biomassa está praticamente estagnada”, afirma. Castro destaca que com o crescimento do mercado livre, há demanda para a bioeletricidade, já que os consumidores são obrigados a contratar energia incentivada.

A experiência do grupo Raízen com a palha na geração de bioeletricidade

Segundo o líder de um projeto que estuda recolhimento de palha na Raízen, Marcio Cezarini Borges, o grupo enxerga a importância dessa biomassa para o aumento de geração de eletricidade. Segundo Borges, é possível dobrar a geração atual das usinas da Raízen trazendo para a indústria 50% da palha gerada no campo. “É dinheiro que estamos deixando no chão e não voltamos para buscar”, afirma. Não estão trazendo o potencial possível, pois existem barreiras que precisam ser solucionadas. Borges menciona a imprevisibilidade dos leilões, a necessidade de se ter condições de financiamento adequado e a potencialidade do Plano Decenal de Expansão de Energia 2026, disponível até o dia 6/agosto para consulta pública.

O CTBE compilou dez pontos que serão divulgados em breve, via Boletim, com os tópicos que devem ser solucionados para que a Bioeletricidade avance e supere os gargalos do uso de palha e bagaço para geração e cogeração. O evento reuniu 70 pessoas.

Workshop sobre Bioeletricidade discute Marco Regulatório do setor elétrico

Evento acontece dia 20 de julho no Auditório do CTBE, em Campinas (SP); inscrições são gratuitas e limitadas
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Acontece no Auditório do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), dia 20 de julho a partir das 8h30, o workshop Bioeletricidade a partir da palha de cana-de-açúcar: reflexões sobre o Marco Regulatório. O portal NovaCana é o parceiro de conteúdo oficial dos Workshops do CTBE.

O evento é gratuito e destinado ao público interessado em compreender o atual cenário da bioenergia e esclarecer os principais pontos do Marco Regulatório do setor elétrico. As inscrições podem ser feitas neste link.

ACESSE A PROGRAMAÇÃO COMPLETA DO EVENTO

O evento irá reunir usinas do setor sucroenergético, agências de fomento, empresas, órgãos públicos e privados e formadores de políticas públicas. “Reunindo esses players conseguimos estabelecer uma sinergia entre os diversos atores para gerarmos benefícios ao sistema elétrico e ao setor sucroenergético do nosso país”, destaca Thayse Hernandes, coordenadora associada da Divisão Agrícola do CTBE e Assistente de Gestão no Projeto SUCRE.

SUCRE está à frente do Workshop

Com a mudança progressiva no setor canavieiro de um sistema de colheita pela queima para um sistema não queimado e mecanizado, a maior parte da palha resultante desse processo e mantida na superfície do solo tornou-se uma matéria-prima economicamente viável para a produção de bioenergia. Entretanto, essa biomassa também trouxe gargalos nos processos de geração e comercialização de energia nos mercados regulado e livre.

INSCREVA-SE GRATUITAMENTE

Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity), uma iniciativa do CTBE, um dos quatro Laboratórios Nacionais do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), desenvolve, junto de usinas parceiras, soluções inovadoras para a geração de energia a partir da palha de cana-de-açúcar como complemento ao bagaço. O SUCRE é uma iniciativa financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF) e gerido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Temas e palestrantes confirmados

O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) Gonçalo Pereira
O papel do Projeto SUCRE Manoel Regis Lima Verde Leal
A geração de eletricidade pelo setor sucroenergético (UNICA) Zilmar José de Souza
Produção de Energia Elétrica Nacional (EPE) Rachel Martins Henriques
O ambiente de comercialização do setor elétrico e a bioeletricidade (CCEE) Roberto Castro
Modelos de  distribuição do setor elétrico para a bioeletricidade (ABRADEE) Nelson Fonseca Leite
Visão do grupo Zilor sobre a Bioeletricidade Valerio A. Zaghi Kovalski
Visão do grupo Raízen sobre a Bioeletricidade Marcelo Couto
Sistema de Limpeza a Seco (CTC) Francisco Linero
Marco Legal e Regulatório – Resultados (Excelência Energética) Selma Akemi Kawana

Cartilha da Bioeletricidade

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Leia ou faça o download da Cartilha de Bioeletricidade do Projeto SUCRE/CTBE.

Clique na imagem para acessar o documento na íntegra!

Sucre palha no Canavial

Expansão do uso de palha de cana-de-açúcar para produzir eletricidade

Projeto do CTBE e do PNUD/ONU almeja resolver gargalos e levar tecnologia às usinas de todo o Brasil
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Sucre palha no Canavial

Converter bagaço e palha de cana-de-açúcar em eletricidade, em usinas de açúcar e etanol, representa uma excelente oportunidade para ampliar a produção sustentável de energia elétrica no Brasil. Engajados nessa missão, o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e a União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA) iniciaram neste ano o Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity).

O SUCRE tem como objetivo principal a aumentar a produção de eletricidade com baixa emissão de gases efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, por meio do uso da palha produzida durante a colheita. Para isso, CTBE e UNICA atuarão junto a quatro usinas selecionadas – que recolhem palha para gerar eletricidade – para desenvolver soluções que elevem tal geração à plenitude da tecnologia disponível.

A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente e gerida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ao todo, serão cinco anos de projeto e um investimento de cerca de US$ 67, 5 milhões.

Dados do projeto indicam que cerca de 800 MW de energia são gerados anualmente em usinas de cana e etanol e vendidos para o sistema elétrico brasileiro. Entretanto, somente a otimização da tecnologia empregada (em escala nacional) ampliaria essa produção em 10 vezes.

Palha enfardada usina Alto Mogiana

Uso de palha de cana-de-açúcar para gerar eletricidade na Usina Alto Mogiana, parceira do CTBE no Projeto SUCRE.

O líder do projeto no CTBE, Manoel Regis Lima Verde Leal, explica que para cumprir os objetivos do projeto, dividiu-se sua execução em seis frentes de trabalho que almejam os seguintes resultados:

  1. Operacionalização da tecnologia para coleta e conversão da palha de cana-de-açúcar em eletricidade para uso comercial;
  2. Demonstração da viabilidade econômica da coleta de palha da cana-de-açúcar para a geração de eletricidade em usinas comerciais;
  3. Avaliação dos efeitos da coleta de palha da cana-de-açúcar no ciclo de cultivo e colheita, de modo a garantir integridade ambiental e sustentabilidade em longo prazo;
  4. Utilização da palha da cana-de-açúcar em todo o setor sucroalcooleiro, com beneficiamento do investimento privado devido às lições aprendidas;
  5. Formulação e/ou adaptação do arcabouço legal e regulatório para promover o uso sustentável da palha de cana-de-açúcar para produção de eletricidade e venda para a rede;
  6. Monitoramento do projeto, aprendizado, gestão adaptativa e avaliação.

A equipe do projeto almeja identificar detalhadamente e vencer as barreiras que impedem as usinas selecionadas de gerarem eletricidade em plenitude, de forma sistemática. “A palha contém cerca de um terço da energia primária presente na cana-de-açúcar. Esperamos aumentar em cerca de 60% a eletricidade excedente gerada pela melhor tecnologia empregada nas quatro usinas”, comenta Leal.

Usinas parceiras e importância do CTBE para o projeto

As usinas que participarão da etapa inicial do projeto, que prevê o desenvolvimento de soluções que resolvam gargalos técnicos no recolhimento, transporte e conversão de palha em eletricidade são: Alta Mogiana, Pedra, Quatá (grupo Zilor) e uma do grupo Raízen (a ser definida).

De acordo com Leal, estas usinas se destacam pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos na geração de eletricidade a partir da palha de cana. Entretanto, gargalos significativos a serem resolvidos, como o alto nível de impureza presente na palha enfardada, os elevados custos de recolhimento do material no canavial e as barreiras no marco regulatório que obrigam as usinas a arcarem com os custos de conexão entre a usina e as linhas de transmissão de eletricidade. “Em usinas afastadas de subestações de energia esses custos são elevados e podem inviabilizar a implantação da tecnologia”, explica Leal.

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do PNUD/Brasil, Rose Diegues, explicou durante o workshop de lançamento do projeto, realizado no CTBE, que os resultados obtidos com as usinas iniciais serão aplicados em outras usinas na fase dois. A meta da equipe é encontrar no mínimo sete outras usinas interessadas em implantar as melhores práticas desenvolvidas. Essas serão contempladas com estudos de viabilidade técnico-econômica para a geração de eletricidade a partir da palha de cana em suas instalações.

Diegues também ressaltou a importância do CTBE para o sucesso do SUCRE. “Escolhemos o CTBE para executar este projeto audacioso porque eles possuem o conhecimento técnico e a infraestrutura necessária para coordenar as ações, além de estarem situados próximo ao maior polo produtor de cana do Brasil”, afirma Diegues.

Os principais dados gerados no projeto SUCRE serão amplamente divulgados em um website a ser publicado até o final do mês de setembro desse ano.