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Expansão do uso de palha de cana-de-açúcar para produzir eletricidade

Projeto do CTBE e do PNUD/ONU almeja resolver gargalos e levar tecnologia às usinas de todo o Brasil
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Sucre palha no Canavial

Converter bagaço e palha de cana-de-açúcar em eletricidade, em usinas de açúcar e etanol, representa uma excelente oportunidade para ampliar a produção sustentável de energia elétrica no Brasil. Engajados nessa missão, o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) e a União da Indústria de Cana-de-açúcar (UNICA) iniciaram neste ano o Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity).

O SUCRE tem como objetivo principal a aumentar a produção de eletricidade com baixa emissão de gases efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, por meio do uso da palha produzida durante a colheita. Para isso, CTBE e UNICA atuarão junto a quatro usinas selecionadas – que recolhem palha para gerar eletricidade – para desenvolver soluções que elevem tal geração à plenitude da tecnologia disponível.

A iniciativa é financiada pelo Fundo Global para o Meio Ambiente e gerida pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Ao todo, serão cinco anos de projeto e um investimento de cerca de US$ 67, 5 milhões.

Dados do projeto indicam que cerca de 800 MW de energia são gerados anualmente em usinas de cana e etanol e vendidos para o sistema elétrico brasileiro. Entretanto, somente a otimização da tecnologia empregada (em escala nacional) ampliaria essa produção em 10 vezes.

Palha enfardada usina Alto Mogiana

Uso de palha de cana-de-açúcar para gerar eletricidade na Usina Alto Mogiana, parceira do CTBE no Projeto SUCRE.

O líder do projeto no CTBE, Manoel Regis Lima Verde Leal, explica que para cumprir os objetivos do projeto, dividiu-se sua execução em seis frentes de trabalho que almejam os seguintes resultados:

  1. Operacionalização da tecnologia para coleta e conversão da palha de cana-de-açúcar em eletricidade para uso comercial;
  2. Demonstração da viabilidade econômica da coleta de palha da cana-de-açúcar para a geração de eletricidade em usinas comerciais;
  3. Avaliação dos efeitos da coleta de palha da cana-de-açúcar no ciclo de cultivo e colheita, de modo a garantir integridade ambiental e sustentabilidade em longo prazo;
  4. Utilização da palha da cana-de-açúcar em todo o setor sucroalcooleiro, com beneficiamento do investimento privado devido às lições aprendidas;
  5. Formulação e/ou adaptação do arcabouço legal e regulatório para promover o uso sustentável da palha de cana-de-açúcar para produção de eletricidade e venda para a rede;
  6. Monitoramento do projeto, aprendizado, gestão adaptativa e avaliação.

A equipe do projeto almeja identificar detalhadamente e vencer as barreiras que impedem as usinas selecionadas de gerarem eletricidade em plenitude, de forma sistemática. “A palha contém cerca de um terço da energia primária presente na cana-de-açúcar. Esperamos aumentar em cerca de 60% a eletricidade excedente gerada pela melhor tecnologia empregada nas quatro usinas”, comenta Leal.

Usinas parceiras e importância do CTBE para o projeto

As usinas que participarão da etapa inicial do projeto, que prevê o desenvolvimento de soluções que resolvam gargalos técnicos no recolhimento, transporte e conversão de palha em eletricidade são: Alta Mogiana, Pedra, Quatá (grupo Zilor) e uma do grupo Raízen (a ser definida).

De acordo com Leal, estas usinas se destacam pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos na geração de eletricidade a partir da palha de cana. Entretanto, gargalos significativos a serem resolvidos, como o alto nível de impureza presente na palha enfardada, os elevados custos de recolhimento do material no canavial e as barreiras no marco regulatório que obrigam as usinas a arcarem com os custos de conexão entre a usina e as linhas de transmissão de eletricidade. “Em usinas afastadas de subestações de energia esses custos são elevados e podem inviabilizar a implantação da tecnologia”, explica Leal.

A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do PNUD/Brasil, Rose Diegues, explicou durante o workshop de lançamento do projeto, realizado no CTBE, que os resultados obtidos com as usinas iniciais serão aplicados em outras usinas na fase dois. A meta da equipe é encontrar no mínimo sete outras usinas interessadas em implantar as melhores práticas desenvolvidas. Essas serão contempladas com estudos de viabilidade técnico-econômica para a geração de eletricidade a partir da palha de cana em suas instalações.

Diegues também ressaltou a importância do CTBE para o sucesso do SUCRE. “Escolhemos o CTBE para executar este projeto audacioso porque eles possuem o conhecimento técnico e a infraestrutura necessária para coordenar as ações, além de estarem situados próximo ao maior polo produtor de cana do Brasil”, afirma Diegues.

Os principais dados gerados no projeto SUCRE serão amplamente divulgados em um website a ser publicado até o final do mês de setembro desse ano.