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Estudos em parceria com o CTBE influenciam decisões do Grupo Zilor

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A área agrícola do Grupo Zilor afirma que resultados de trabalhos realizados pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), um dos quatro laboratórios do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), influenciaram a decisão de alterar a quantidade de recolhimento de palha para geração de energia, na safra deste ano, em unidade gerida pelo Grupo, no município de Quatá-SP.

Desde 2012, o CTBE realiza estudos nas áreas de cultivo da Usina Quatá (Quatá-SP), coordenados pelo pesquisador João Luís Nunes Carvalho, relacionados à adoção de rotação de culturas, preparo do solo e manejo da palha. A partir de 2015, essa unidade tornou-se uma das parceiras do Projeto SUCRE (Sugarcane Renewable Electricity), iniciativa do Laboratório que busca desenvolver soluções para elevar a geração de energia elétrica pelas usinas do setor sucroenergético a partir do uso da palha de cana-de-açúcar.

Dentre as diversas frentes de trabalho do SUCRE, está a avaliação dos impactos do recolhimento de palha na qualidade do solo e na produtividade da cana-de-açúcar, garantindo integridade ambiental e sustentabilidade em longo prazo do canavial.

Confira abaixo a entrevista concedida por e-mail para a Assessoria de Comunicação do CTBE, pelo diretor, Denis Arroyo Alves, e o especialista Tedson Luis de Freitas Azevedo da área de Parcerias e Agrícola do Grupo Zilor.


CTBE/CNPEM: Quanto de palha a Usina Quatá recolheu na última safra? Isso equivale a qual porcentagem de recolhimento?
Tedson: 71.000 toneladas, o equivalente a 40% do potencial de recolhimento.

CTBE/CNPEM: Essa quantia se alterou com o passar dos anos?

Tedson: Sim. Nosso projeto inicial era recolher 120.000 toneladas e por questões operacionais não conseguimos.

CTBE/CNPEM: Vocês têm perspectivas, num futuro próximo, de alterar essa quantia de remoção de palha na Usina Quatá?

Tedson: Nosso projeto de recolhimento de palha será totalmente revisto. Num futuro imediato, por exemplo, para essa safra que se iniciará em breve estamos prevendo recolher apenas 20.000 toneladas das áreas de reforma (5º corte ou mais).

CTBE/CNPEM: Por quê?

Tedson: Porque os resultados dos trabalhos realizados em parceria com o CTBE vêm nos mostrando que, por várias razões, que o recolhimento de palha em áreas de solos arenosos, como é o caso de Quatá, reduz a produção de cana-de-açúcar.

Denis: Temos consciência hoje que nossa maior limitação em Quatá é o teor de matéria orgânica no solo, e consequentemente a baixa capacidade de retenção de água no solo que resulta em menor atividade biológica do solo.

CTBE/CNPEM: Os resultados obtidos por estudos feitos pelo CTBE influenciaram de alguma forma nessa tomada de decisão?

Tedson: Os estudos que o CTBE realiza em Quatá nos nortearam totalmente para essa decisão, pois devido a fragilidade dos nossos solos os resultados vêm mostrando que a palha é essencial para um bom manejo do canavial. A palha é mais benéfica se deixada no solo! A palha no solo ajudará incrementar a produtividade de cana-de-açúcar e, dessa maneira, será produzido mais biomassa via bagaço. Além disso, deixando o solo coberto com palha tem-se o controle mais eficiente da erosão, mantém a temperatura do solo mais amena, aumenta a retenção de água, melhor controle de plantas daninhas e maior ciclagem de nutrientes.

Denis: Foi fundamental para realmente medirmos e entendermos a ação da palha em produtividade e conservação do solo.

“Estamos sentindo que o Projeto SUCRE está nos tirando do campo emocional e nos colocando no campo das evidências”, diz Tedson Azevedo, da Zilor

CTBE/CNPEM: O que mudou na visão do Grupo Zilor?

Tedson: Nós percebemos o quão é importante estarmos juntos dos centros de pesquisas como o CTBE, por exemplo, porque isso nos ajuda nas tomadas de decisões baseadas em informações validadas pela ciência aumentando, dessa maneira, as chances de assertividade no manejo do canavial.

Denis: Deixamos de recolher a palha e passamos a trata-la como insumo para a produção de cana-de-açúcar. Nosso foco é fazer mais biomassa via bagaço de cana. Esse caminho é mais sustentável. Além disso, a conservação do solo tem sido nossa busca e a palha se apresenta como uma grande solução.

CTBE/CNPEM: Vocês têm dados concretos dessas mudanças?

Tedson: Sim, e a mais importante e concreta foi a nossa revisitada no programa de recolhimento de palha dessa safra em diante.

CTBE/CNPEM: Qual a opinião do Grupo Zilor a respeito dos estudos que o Projeto SUCRE vem realizando na Usina Quatá?

Tedson: A nossa expectativa e o que estamos sentindo é que o Projeto SUCRE está nos tirando do campo emocional e está nos colocando no campo das evidências. Isso poderá ser totalmente possível, principalmente pelas ferramentas de modelagens (software e pessoas capacitadas) que estão sendo empregadas nesse projeto. As simulações/modelagens das evidencias não estão restritas apenas a agrícola, mas também ao campo industrial.

Denis: Projeto SUCRE, bem como o CTBE, são iniciativas fundamentais para que possamos crescer como profissionais, empresa, setor e país. Não há crescimento onde não há pesquisa aplicada. Além de ótimos recursos e pesquisadores, o CTBE e o Projeto SUCRE têm um grande diferencial: vivenciam o nosso dia a dia para nos apresentar soluções para uma evolução sustentável. Estão realmente vestindo a camisa junto com as empresas parceiras.

CTBE/CNPEM: Sinta-se à vontade para pontuar questões não abordadas pelas perguntas anteriores.

Tedson: A Zilor tem certeza de que a parceria com o CTBE é muito benéfica e vantajosa, porque os conhecimentos gerados pelas pesquisas são rapidamente incorporados por nós que a implementamos no nosso plano de manejo. Fazer pesquisa dentro da operação é caro e nem sempre nos traz resultados confiáveis, por conta disso, essa parceria/proximidade com o CTBE que possui expertise em pesquisa, deve ajudar nessa assertividade.

Denis: Para nós é um prazer fazer parte desta iniciativa. Acreditamos nela desde o primeiro dia. Sabemos que o conhecimento aplicado é o único caminho para alcançarmos produtividades competitivas. Além disso temos o dever de participar de projetos assim, abrindo totalmente nossas portas, para que seja uma retroalimentação e o CTBE cresça ainda mais através dos resultados que obtivermos. Somos muito gratos a todos que estão conosco nesta jornada produzindo uma parceria de sucesso.

Viviane Celente, com João Nunes Carvalho e Erik Nardini